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Actualizado em 11 Outubro 2011
 
História

Chamo-me Paulo Emanuel, e comecei a juntar pacotes de açúcar há cerca de 30 anos. Ao princípio era apenas mais um enfeite, a juntar aos autocolantes, posters e fotografias que tinha colados nas placas de esferovite que cobriam as paredes do quarto. Os pacotes estavam inteiros, e eram simplesmente presos à esferovite com um alfinete pequeno.

Várias picadelas depois, cheguei à conclusão de que as paredes não eram o sítio mais indicado para os ter, e então passaram para dentro de um caixote, sempre agarrados à esferovite: desta vez eram placas fininhas, cortadas à medida do caixote.

Depressa o espaço ocupado pela esferovite, mesmo a mais fina que encontrei, excedeu em muito o correspondente aos pacotes. Então, as placas deram lugar a folhas de cartolina e os alfinetes foram substituídos por um pingo de cola.

Um dia, descobri que os pacotes tinham ficado “firmes e hirtos”! Pensei logo que tinha sido obra do Prof. Herrero. Mas não, era apenas da humidade. Ficaram completamente imprestáveis, pelo que peguei no caixote e respectivo conteúdo e coloquei-o no contentor do lixo. Na altura não havia reciclagem, por isso poupei o trabalho de separar o caixote, a esferovite, os pacotes e os alfinetes.

Algum tempo depois, descobri uma coisa extraordinária, e que para mim era novidade: uma lâmina. Sim senhor, uma lâmina. Era um antepassado daquilo que hoje chamamos “x-acto”, com um corpo metálico e um parafuso enorme no meio, mas era uma lâmina, e cortava bem. Até dedos.

Experimentei com um pacote de açúcar e foi extremamente simples fazer um corte numa das faces e retirar o açúcar.

Começou então a versão 2 da minha colecção. Passei a retirar o açúcar dos pacotes e a colá-los em folhas de cartolina de tamanho A4, do género daqueles separadores usados para colocar em dossiers. Na altura tirava muitas fotografias, e então passei a colar os pacotes com uns autocolantes com cola nas duas faces próprios para fotografias.

Nesta fase surgiu um problema novo: o método de arquivo. Com o sistema da esferovite e dos alfinetes, era fácil mudar um pacote de um lado para outro, mas com os pacotes colados não é prático andar a mudá-los.

Após várias tentativas, optei por aquilo que me pareceu mais óbvio: as empresas embaladoras, ou na falta dessa indicação, a marca do café.

Assim, fui aumentando a quantidade de pacotes de açúcar, de folhas de cartolina e de cortes dos dedos, até que fiz uma nova descoberta extraordinária: as folhas de plástico para guardar calendários.

Este facto deu origem a uma nova versão na minha colecção. Apesar de já ter várias dezenas de folhas de cartolina, optei por ter o trabalho de mudar, até porque não gostava do aspecto das folhas: devido aos vários tamanhos dos pacotes, era difícil mantê-los alinhados. Os arquivadores de plástico pareceram-me esteticamente mais agradáveis e mais fáceis de usar. No entanto continuei a usar a cartolina, cortada à medida das bolsas, para manter os pacotes alinhados, e para poder usar a parte de trás para outro pacote, sem que se misturem visualmente.

Na era da informática tudo é possível. Descobri recentemente que conseguia fazer com relativa facilidade e de uma forma mais ou menos rápida folhas em papel para arquivar os pacotes. As folhas são feitas num processador de texto, à medida de cada série ou tema, com um cabeçalho identificativo, e os pacotes são presos pelos seus cantos, enfiados em cortes na folha de papel. A folha de papel é depois colocada numa mica A4.

Assim nasceu a versão 4 da minha colecção. Espero ficar por aqui em termos de versões. Já são uns milhares largos de pacotes e mudá-los para folhas de papel ainda vai demorar uns anos.

Para terminar, quero agradecer a todos os meus familiares, colegas e amigos por toda a ajuda que me têm dado ao trazerem-me pacotes dos sítios por onde passam. Uma grande parte da colecção devo-a a eles.

escrito (actualizado) em Março 2010