Chamo-me Paulo Emanuel, e comecei a juntar pacotes de açúcar há cerca
de 30 anos. Ao princípio era apenas mais um enfeite, a juntar aos
autocolantes, posters e fotografias que tinha colados nas placas de
esferovite que cobriam as paredes do quarto. Os pacotes estavam
inteiros, e eram simplesmente presos à esferovite com um alfinete
pequeno.
Várias picadelas depois, cheguei à conclusão de que as paredes não eram
o sítio mais indicado para os ter, e então passaram para dentro de um
caixote, sempre agarrados à esferovite: desta vez eram placas fininhas,
cortadas à medida do caixote.
Depressa o espaço ocupado pela esferovite, mesmo a mais fina que
encontrei, excedeu em muito o correspondente aos pacotes. Então, as
placas deram lugar a folhas de cartolina e os alfinetes foram
substituídos por um pingo de cola.
Um dia, descobri que os pacotes tinham ficado “firmes e hirtos”! Pensei
logo que tinha sido obra do Prof. Herrero. Mas não, era apenas da
humidade. Ficaram completamente imprestáveis, pelo que peguei no
caixote e respectivo conteúdo e coloquei-o no contentor do lixo. Na
altura não havia reciclagem, por isso poupei o trabalho de separar o
caixote, a esferovite, os pacotes e os alfinetes.
Algum tempo depois, descobri uma coisa extraordinária, e que para mim
era novidade: uma lâmina. Sim senhor, uma lâmina. Era um antepassado
daquilo que hoje chamamos “x-acto”, com um corpo metálico e um parafuso
enorme no meio, mas era uma lâmina, e cortava bem. Até dedos.
Experimentei com um pacote de açúcar e foi extremamente simples fazer
um corte numa das faces e retirar o açúcar.
Começou então a versão 2 da minha colecção. Passei a retirar o açúcar
dos pacotes e a colá-los em folhas de cartolina de tamanho A4, do género daqueles separadores usados para colocar em dossiers. Na altura
tirava muitas fotografias, e então passei a colar os pacotes com uns
autocolantes com cola nas duas faces próprios para fotografias.
Nesta fase surgiu um problema novo: o método de arquivo. Com o sistema
da esferovite e dos alfinetes, era fácil mudar um pacote de um lado
para outro, mas com os pacotes colados não é prático andar a mudá-los.
Após várias tentativas, optei por aquilo que me pareceu mais óbvio: as
empresas embaladoras, ou na falta dessa indicação, a marca do café.
Assim, fui aumentando a quantidade de pacotes de açúcar, de folhas de
cartolina e de cortes dos dedos, até que fiz uma nova descoberta
extraordinária: as folhas de plástico para guardar calendários.
Este facto deu origem a uma nova versão na minha colecção. Apesar de já
ter várias dezenas de folhas de cartolina, optei por ter o trabalho de
mudar, até porque não gostava do aspecto das folhas: devido aos vários
tamanhos dos pacotes, era difícil mantê-los alinhados. Os arquivadores
de plástico pareceram-me esteticamente mais agradáveis e mais fáceis de
usar. No entanto continuei a usar a cartolina, cortada à medida das
bolsas, para manter os pacotes alinhados, e para poder usar a parte de
trás para outro pacote, sem que se misturem visualmente.
Na era da informática tudo é possível. Descobri recentemente que conseguia fazer com relativa facilidade e de uma forma mais ou menos rápida folhas em papel para arquivar os pacotes. As folhas são feitas num processador de texto, à medida de cada série ou tema, com um cabeçalho identificativo, e os pacotes são presos pelos seus cantos, enfiados em cortes na folha de papel. A folha de papel é depois colocada numa mica A4.
Assim nasceu a versão 4 da minha colecção. Espero ficar por aqui em termos de versões. Já são uns milhares largos de pacotes e mudá-los para folhas de papel ainda vai demorar uns anos.
Para terminar, quero agradecer a todos os meus familiares, colegas e
amigos por toda a ajuda que me têm dado ao trazerem-me pacotes dos sítios por onde passam. Uma grande parte da colecção devo-a a eles.